O
Projeto Genoma Humano (Human Genome Project,
HGP)
é uma das maiores façanhas da história
da humanidade. Ele é traduzido como um esforço
da pesquisa internacional para seqüenciar e mapear
todos os genes dos seres humanos, que no seu conjunto é
conhecido como genoma. Integrado ao HGP,
esforços semelhantes vêm sendo empregados para
a caracterização de genomas de vários
outros organismos, uma vez que a maioria dos organismos
vivos apresenta muitos genes que são similares ou
homólogos, ou seja, com funções semelhantes.
A identificação das seqüências
e das funções dos genes destes organismos
se traduz no potencial para explicar a homologia dos genes
nos seres humanos, portanto podendo ser usados como modelo
animal na pesquisa biomédica.
O material hereditário (genoma) de todos os organismos
multi-celulares é a molécula dupla hélice
de ácido desoxirribonucléico (DNA
– deoxiribonucleic acid), que contém todos
os nossos genes.
O HGP, iniciado formalmente em 1990 e projetado
para durar 15 anos, tinha como principais objetivos:
determinar a ordem, ou seqüência, de todas as
bases do nosso DNA genômico; identificar e mapear
os genes de todos os 23 pares de cromossomos humanos; armazenar
essa informação em bancos de dados, desenvolver
ferramentas eficientes para analisar esses dados e desenvolver
meios de usar esta informação para estudo
da biologia e da medicina.
O HGP começou como uma iniciativa do setor público,
tendo a liderança de James Watson, na época
chefe dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).
Numerosas escolas, universidades e laboratórios participam
do projeto, usando recursos do NIH e Departamento de Energia
Norte-americano (DOE).
Basicamente, 18 países iniciaram programas de pesquisas
sobre o genoma humano. Os maiores programas desenvolvem-se
na Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China,
Coréia, Dinamarca, Estados Unidos, França,
Holanda, Israel, Itália, Japão, México,
Reino Unido, Rússia, Suécia e União
Européia.
Com a entrada da iniciativa privada no Projeto Genoma, dando
preferência a uma abordagem dirigida apenas aos genes
que apresentam interesse para a cura de doenças,
o setor público passou a rever seu cronograma e o
processo de seqüenciamento foi acelerado. Em fevereiro
de 2001, simultaneamente ao anúncio da empresa
norte-americana Celera, o PGH anunciou o primeiro
esboço contendo a seqüência de 3 bilhões
de pares de bases, cerca de 90% quase completos do código
genético humano. O número de genes
existentes, segundo os cálculos de ambas as equipes
de pesquisadores, são pouco mais que 30 mil, significativamente
menor do que inicialmente se pensava (50 a 140 mil genes).
Os resultados foram publicados em duas revistas diferentes.
A revista inglesa Nature publicou o trabalho dos
pesquisadores do PGH, liderados por Francis Collins,
atual diretor do NHGRI
(National Human Genome Research Institute), e a norte-americana
Science, o trabalho dos pesquisadores da Celera,
liderados pelo cientista Craig Venter.
Com previsão para terminar em 2003, dois anos antes
do que inicialmente se pensava, Francis Collins chamou a
publicação da seqüência quase completa
do genoma humano em 2001 como “the end of the beginning”
. E explicou em recente artigo do NHGRI: “ A compreensão
crítica da expressão gênica, a conexão
entre as variações de seqüência
e o fenótipo, as interações proteína-proteína
em grande escala e a análise global da biologia humana
poderão acontecer agora ... Para mim, como médico,
o verdadeiro resultado do HGP será a possibilidade
de melhorar o diagnóstico, tratamento e prevenção
das doenças e a maioria dos benefícios que
ainda estão por acontecer para a humanidade. Com
esta imensa variedade de dados de seqüências
nas mãos, nós estamos aptos para alcançar
aqueles propósitos que jamais poderíamos imaginar
há alguns anos.” (Francis
S. Collins. Genomics: the coming revolution in medicine.pdf;
From Global Agenda, the magazine of the World Economic Forum
Annual Meeting 2003).
LINKS
Ciência
Viva: O Genoma Humano
Giselda
MK Cabello, MSc.
Responsável pelo Projeto Fibrose Cística
Laboratório de Genética Humana
Departamento de Genética/IOC/FIOCRUZ
gkalil@ioc.fiocruz.br