Daniella Daher
Pacientes com doenças no músculo cardíaco, para os quais a única esperança de cura seria um transplante de coração, vão ser submetidos a uma terapia experimental com células-tronco. O procedimento é o mesmo já testado com sucesso em portadores de doenças isquêmicas (pacientes com as artérias coronárias entupidas, que impedem o fluxo normal do sangue) e quem sofre de doença de Chagas.
Nesse novo grupo, as válvulas e as coronárias são normais, porém, o músculo cardíaco não consegue mais bombear o sangue. Os motivos variam desde miocardite – uma virose, parecida com uma gripe que afeta o músculo – até alcoolismo.
Segundo a responsável pelo estudo, a médica Helena Martino, chefe da unidade de Miocardiopatia do Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras, serão selecionados 30 pacientes para o experimento. Quinze receberão o transplante de células diretamente no músculo cardíaco. Os demais receberão as células-tronco através das coronárias.
Nos pacientes com isquemia, tratados no Pró-cardíaco, as células foram transplantadas diretamente no coração. Já o grupo com doença de Chagas, atendido na Fiocruz de Salvador recebeu as células através das coronárias. Em ambos os grupos os resultados foram excelentes.
Helena explica que a mortalidade dos pacientes é muito alta em um ano. “São pessoas que tomam 10 remédios diferentes por dia para melhorar os sintomas. A única alternativas para eles, até agora, é o transplante. E mesmo assim, alguns são excluídos da lista porque têm outras complicações. Sem falar no tempo de espera, muito longo para o pouco tempo de vida que eles têm.”
A médica espera já ter os resultados dois meses após a realização da experiência. O projeto ainda aguarda aprovação do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, órgão do governo federal, mas deve ser iniciado ainda este ano.