
Proibição
do uso de Células-tronco embrionárias é sem
justificativa no Brasil
Por
Karla Bernardo Montenegro
Argumentações de cunho teórico ou religioso
têm encontrado força suficiente para se sobrepor
ao potencial de cura da medicina regenerativa no Brasil. A confirmação
desta afirmação está no Novo Projeto de Lei
de Biossegurança, que proíbe o uso de células-tronco
embrionárias para o desenvolvimento de terapias genéticas.
Estamos
na contramão do mundo, já que a cada dia mais
países se posicionam favoravelmente ao financiamento
de pesquisas com células-tronco embrionárias.
O mais recente país a adotar o procedimento foi a
Austrália, que declarou possuir cerca de 70 mil embriões
congelados em clínicas de Reprodução
Assistida. Se todos os casais permitirem a liberação
destes embriões para pesquisa, o país poderá
dar um significativo salto nas pesquisas com células-tronco,
o que potencialmente pode se transformar na cura de milhares
de doenças.
Por
outro lado, a terapia tem nos Estados Unidos e na Itália
importantes opositores.O atual presidente americano,George Bush,
é declaradamente contrário a esta prática
e até chegou a demitir uma funcionária do governo
que se posicionou favorável ao uso da manipulação
genética (para obtenção de células-tronco)com
fins terapêuticos.
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Para
o médico sanitarista, membro da Comissão de
Bioética do Cremerj (Conselho Regional de Medicina
do Rio de Janeiro) e diretor da Sociedade de Bioética
do Rio de Janeiro, Sérgio Rego, ser contra o uso
de células-tronco embrionárias é um
contra-senso, pois impede o desenvolvimento da humanidade
"Se existe a doença, tem que se buscar o remédio.
Por que um indivíduo tem que se conformar com uma
diabetes e encarar a doença como castigo de Deus
e não partir para a busca da cura? Os limites que
devemos impor nas pesquisas
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com células troncos e de desenvolvimento de terapias
genéticas devem proibir a produção
de quimeras e não ultrapassar a prudência nos
experimentos com humanos, mas não devem ser uma expressão
do nosso medo do desconhecido", argumenta.
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Segundo
Sérgio Rego, a raiz desta discussão está
na busca da definição de quando começa a
vida e quando começa a pessoa humana. "Se a morte
encefálica é definida quando as conexões
neuronais se "desfazem" (arreatividade supraespinal,
nos termos da resolução do CFM) por que não
levar este pensamento para se compreender o início da vida
humana? Um monte de células não caracteriza uma
pessoa. O que caracteriza o ser humano é sua consciência,
que se dá em torno do terceiro mês de gestação
- é a funcionalidade do cérebro que o caracteriza",
reflete.
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A própria igreja não determina o momento do
início da vida, o direito canônico não
estabelece a concepção como início
da vida. Até o meio do século XX o aborto
era crime contra o matrimônio e não contra
a vida. Uma visão baseada apenas em princípios
religiosos é inaceitável para se definir quando
começa a vida. Nossa sociedade não é
religiosa e pluralista. Qualquer tipo de fundamentalismo
religioso é inaceitável. Religião é
para ser seguida por quem tem fé e adere livremente
a ela - o que a torna inaceitável como fundamento
para políticas públicas.. Existe muito preconceito
para ser superado e só com informação
a sociedade poderá se posicionar, analisa.
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Para
o médico, apesar de considerar que toda opinião
deve ser respeitada, alguns segmentos da sociedade utilizam argumentos
falaciosos para condenar a utilização das células-tronco
embrionárias "Tenho a certeza que o Congresso Nacional
não se deixará influenciar por posições
que levariam nosso país a prejudicar seus cidadãos,
assim como a população, esclarecida, saberá
influenciar o Congresso. As pesquisas com células-tronco
têm que continuar, bem como as com células germinais",
conclui.
Outras opiniões sobre o início da vida humana:
Radovan Borojevic, cientista
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"O
ato de criação de um novo ser é a fecundação.
Para os mamíferos é o início de uma
vida em potencial, que pode se desenvolver ou não.
Eu considero embrião congelado vida potencial .Se
for implantado é uma vida que pode vingar caso a
reprodução assistida seja realizada com sucesso.
Embrião congelado sem ser implantado não é
vida". |
Heloísa Helena, jurista
"A
dúvida quanto ao início da vida embrionária
tem suscitado debate entre os diferentes ramos do conhecimento,
na medida em que se retorna, de modo mais agudo e diante
de fatos científicos, à já antiga pergunta:
quando se inicia a existência de um novo ser humano?" |
Desembargador Jorge Magalhães, professor UFRJ
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"Os
embriões congelados não podem ser descartados,
esta é uma forma de homicídio lato sensu,
no sentido de se estar matando um civil. É preciso
haver um controle do número de embriões produzidos:
A humanidade está se afastando de Deus, está
se esquecendo da origem divina do homem ". |
