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Avanço na ciência, sim. Falta de ética, não.
Pesquisa mostra que brasileiros estão atentos aos aspectos éticos relacionados à persquisa científica

Por Karla Bernardo Montenegro

O resultado da Pesquisa Nacional sobre a Percepção da Ciência e Tecnologia no Brasil, coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Museu da Vida/Fiocruz , apontou otimismo da população quanto ao progresso da ciência e da tecnologia no Brasil. Apesar da euforia, a pesquisa mostrou também a preocupação com a precaução: 68% dos entrevistados disseram que os cientistas devem expor publicamente os riscos do desenvolvimento científico e tecnológico. Para 24% dos entrevistados, uma nova tecnologia não deve ser utilizada se as conseqüências de seu uso não forem conhecidas. Já 63% afirmaram que a população deve ser ouvida nas grandes decisões sobre os rumos da Ciência e Tecnologia no Brasil.

Segundo Yury Castelfranchi, do laboratório de jornalismo da Unicamp, um dos integrantes do grupo de trabalho que elaborou o questionário para pesquisa,: “Os brasileiros estão otimistas com o progresso que a ciência pode trazer principalmente na área da saúde, mas a população não é acrítica: Está atenta quanto à necessidade de avaliação dos riscos”, afirmou, o que concorda Ildeu de Castro Moreira, diretor do Departamento de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia/SECIS/MCT “podemos comemorar este comportamento”, apontou, afirmando que “pesquisas como esta são importantes para analisar o efeito das políticas públicas na área da ciência e tecnologia”.

Ética nas pesquisas científicas

Quando o assunto é a ética na pesquisa científica, 59% dos entrevistados afirmaram que o governo deve obrigar legalmente os cientistas a seguirem padrões éticos. 44% dos entrevistados declararam  que concordam com a  afirmativa: “uma descoberta científica não é “boa” nem “má”, o que importa é a maneira com que ela pode ser usada”. Porém, quando a pergunta é :” Você acha que os cientistas são responsáveis pelo mau uso que fazem das suas descobertas?” os entrevistados ficaram divididos: 28% afirmou que sim, e 28%afirmou que não. Os que concordam parcialmente com esta afirmativa representam 24% do total.

Para 43% dos entrevistados, o médico é a fonte mais confiável de informações sobre ciência e tecnologia, seguido dos jornalistas (42%).Os entrevistados apontaram diferença de credibilidade para os cientistas que trabalham em universidades (30%) e os que trabalham em empresas (11%)

A pesquisa

Segundo Luísa Massarani, a Pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia” foi  realizada com entrevistas domiciliares e pessoais entre os dias 25 de novembro e 9 de dezembro de 2006. A amostra avaliada foi de 2.004 pessoas em diversos municípios do país, selecionadas com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O público selecionado foi composto por 50% de mulheres e 50% de homens com idade média de 36 anos e renda mensal média de R$ 952,29.

A produção do questionário, que levou em conta pesquisas anteriores realizadas na Europa, em países como a Argentina e cidades como São Paulo, foi feita por um grupo de trabalho, coordenado por Ildeu de Castro Moreira (MCT) e Luisa Massarani (Museu da Vida/Fiocruz), do qual participaram Marcelo Knobel (IFI/Unicamp), Yurij Castelfranchi (LabJor/Unicamp), Carlos Vogt (LabJor/Unicamp e Fapesp), Martin Bauer (London School of Economics, Inglaterra), Carmelo Polino (Ricyt e Centro Redes, Argentina), Maria Eugenia Fazio (Centro Redes, Argentina).

Para acessar a Pesquisa completa, clique aqui.


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