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Aborto
por
Leonardo Leite
Aborto
é a interrupção da gravidez pela morte do feto
ou embrião, junto com os anexos ovulares durante qualquer
momento da etapa que vai desde a fecundação (união
do óvulo com o espermatozóide) até o momento
prévio ao nascimento.
O aborto
pode ser classificado em espontâneo ou provocado.
Aborto
espontâneo
Ocorre
quando uma gravidez que parecia estar desenvolvendo-se normalmente
termina de maneira involuntária, ou seja, quando a morte
é produto de acidente, alguma anomalia ou disfunção
não prevista nem desejada pela mãe. O aborto espontâneo
também pode ser chamado de aborto involuntário ou
"falso parto".
O aborto
espontâneo é quando a perda do embrião se dá
antes da vigésima semana de gestação (5 meses),
quando o feto não está em condições
de sobreviver fora do útero materno. A maioria dos abortos
espontâneos ocorrem durante o primeiro trimestre, diga-se,
nas primeiras 12 semanas.
Calcula-se
que 25% das gestações terminam em aborto espontâneo,
sendo que 3/4 ocorrem nos três primeiros meses de gravidez.
Existem
dois tipos de aborto espontâneo: o aborto iminente
e o inevitável.
O
aborto iminente é uma ameaça de aborto. A mulher
tem um leve sangramento seguido de dores nas costas e outras parecidas
com as cólicas menstruais.
O
aborto inevitável é quando se tem a dilatação
do útero para expulsão do conteúdo seguido
de fortes dores e hemorragia. O aborto inevitável é
dividido em três tipos: o incompleto que é quando ocorre
depois da saída dos coágulos a saída restante
do conteúdo e o aborto preso, que é quando o ovo morre,
mas não é expelido.
Causas
A causa
do aborto espontâneo no primeiro trimestre mais comum é
uma anomalia cromossômica no feto. A maioria das anomalias
cromossômicas são resultado de um óvulo ou um
espermatozóide defeituosos. Essas anomalias são mais
comuns em mulheres acima dos 35 anos, por isso, essas mulheres sofrem
um maior risco de terem um aborto espontâneo quando engravidam,
cerca de 70% dos casos
O aborto
espontâneo durante o segundo trimestre deve-se à problemas
externos como: incontinência do colo uterino, mal formação
uterina, insuficiência de desenvolvimento uterino, fibroma,
infecções do embrião e de seus anexos.
Um
estudo realizado revelou que mulheres que fumam, consumem álcool
ou drogas correm um grande risco e mulheres com infecções
vaginais têm 5 vezes mais chances de terem um aborto espontâneo.
Conseqüências
Os
possíveis sintomas de um aborto espontâneo incluem:
Sangramento
vaginal. A quantidade de sangue pode variar de algumas gotas à
um fluxo abundante. O sangramento pode começar sem aviso
e às vezes começa com uma tonalidade marrom.
Dor
de cólica.
Perda de líquidos pela vagina, sem sangue e sem dor. Isto
pode significar que as membranas se romperam.
Se
houver perda de materiais sólidos pela vagina, conserve para
mostrar ao seu médico para que ele examine.
Algumas
mulheres sentem dor como a de um parto.
É
possível que o aborto espontâneo ocorra sem sangramento
nem dor.
Aborto provocado
Aborto
provocado é a interrupção deliberada da gravidez;
pela extração do feto da cavidade uterina de forma
doméstica, química ou cirúrgica. Quando se
pensa em aborto é esta forma que é conhecida popularmente.
Para
provocar o aborto utiliza-se algumas técnicas:
A
sucção ou aspiração;
A
dilatação e curetagem;
Drogas
e plantas;
Injeção
de soluções salinas;
Mediante
Prostaglandinas;
Pílula
RU-486
Sucção ou aspiração
O aborto
por sucção pode ser feito até a 12ª semana
após o último período menstrual (amenorréia).
Este aborto pode ser feito com anestesia local ou geral. Com a local
a paciente toma uma injeção intramuscular de algum
analgésico. Já na mesa de operação faz
um exame para determinar o tamanho e a posição do
útero. Se for anestesia geral, toma-se uma hora antes da
operação uma injeção intramuscular de
Thionembutal. Inicia então uma infusão intravenosa.
O Thionembutal adormece o paciente e um anestésico geral
por inalação como o Óxido de Nitroso é
administrado através de uma máscara. A partir daí
o procedimento é o mesmo da anestesia geral e local.
Insere-se
no útero um tubo oco que tem uma ponta afiada. Uma forte
sucção (28 vezes mais forte que a de um aspirador
doméstico) despedaça o corpo do bebê que está
se desenvolvendo, assim como a placenta e absorve "o produto
da gravidez" (ou seja, o bebê), depositando-o depois
em um balde. O abortista introduz logo uma pinça para extrair
o crânio, que costuma não sair pelo tubo de sucção.
Algumas vezes as partes mais pequenas do corpo do bebê podem
ser identificadas. Quase 95% dos abortos nos países desenvolvidos
são realizados desta forma.
Dilatação e Curetagem
Na
curetagem é feita a dilatação do colo do útero
e com uma cureta (instrumento de aço semelhante a uma colher)
é feita a raspagem suave do revestimento uterino do embrião,
da placenta e das membranas que envolvem o embrião. A curetagem
pode ser realizada durante o segundo e terceiro trimestre da gestação
o bebê é já grande demais para ser extraído
por sucção.
A curetagem
é empregada para desmembrar o bebê, tirando-se logo
em pedaços com ajuda do fórceps. Este método
está se tornando o mais usual.
Este
tipo de aborto é muito perigoso, por que pode ocorrer perfuramento
da parede uterina, tendo sangramento abundante. Outro fator importante
é que se pode tirar muito tecido, causando a esterilidade.
Drogas e Plantas
Existem
muitas substâncias que quando tomadas causam o aborto. Algumas
são tóxicos inorgânicos, como arsênio,
antimônio, chumbo, cobre, ferro, fósforo e vários
ácidos e sais.
As
plantas são: absinto (losna, abuteia, alecrim, algodaro,
arruba, cipómil - homens, esperradura e várias ervas
amargas).
Todas
estas substâncias tem de ser tomadas em grande quantidade
para que ocorra o aborto. O risco de abortar é tão
grande como o de morrer, ou quase.
Injeção de soluções salinas
É
feito do 16ª à 24ª semana de gestação.
O médico aplica anestesia local num ponto situado entre o
umbigo e a vulva, no qual irá ultrapassar a parede do abdome,
do útero e do âmnio ( bolsa d'água). Com uma
longa seringa, injeta-se na bolsa d'água uma solução
salina. O bebê ingere esta solução que lhe causará
a morte por envenenamento, desidratação, hemorragia
do cérebro e de outros órgãos. Após
um prazo de 24 à 48 horas, por efeito de contrações
do feto é expulso pela vagina, como num parto normal. O risco
apresentado por este tipo de aborto é a aplicação
errada da anestesia, e a solução ter sido injetada
fora do âmnio, causando a morte instantânea.
Sufocamento
Este
método de aborto é chamado de "parto parcial".
Nesse caso, puxa-se o bebe pra fora deixando apenas a cabeça
dentro, já que ela é grande demais. Daí introduz-se
um tubo em sua nuca, que sugará a sua massa cerebral, levando-o
à sua morte. Só então o bebê consegue
ser totalmente retirado.
Esquartejamento
O feto
é esquartejado ainda dentro da mãe. Deixando-o em
pedaços. Retirada do liquido amniótico
Esta
é uma das maneiras mais lentas de praticar o aborto: O abortista
retira o liquido amniótico de dentro do útero e coloca
uma substância contendo sal.
Mediante Prostaglandinas
Esta
droga provoca um parto prematuro durante qualquer etapa da gravidez.
É usado para levar a cabo o aborto à metade da gravidez
e nas últimas etapas deste. Sua principal "complicação"
é que o bebê às vezes sai vivo. Também
pode causar graves danos à mãe. Recentemente as prostaglandinas
foram usadas com a RU- 486 para aumentar a "eficácia"
destas.
Pílula RU-486
Conhecida
como "pílula do dia seguinte", é uma pílula
abortiva empregada conjuntamente com uma prostaglandina, que é
eficiente se for empregada entre a primeira e a terceira semana
depois de faltar a primeira menstruação da mãe.
Age matando de fome o diminuto bebê, privando do de um elemento
vital, o hormônio progesterona. O aborto é produzido
depois de vários dias de dolorosas contrações.
Estima-se que seja realizado anualmente no mundo mais de 40 milhões
de abortos, a maioria em condições precárias,
com sérios riscos para a saúde da mulher. O método
clássico de aborto é o por curetagem uterina e o método
moderno por aspiração uterina (método de Karman)
só utilizável sem anestesia para gestações
de menos de oito semanas de amenorréia (seis semanas de gravidez).
Depois desse prazo, até doze semanas de amenorréia,
a aspiração deve ser realizada sob anestesia e com
um aspirador elétrico.
Conseqüências
As
complicações do aborto, variam de acordo com o método
empregado. Mas as principais conseqüências são:
Laceração
do colo uterino provocada pelo uso de dilatadores;
Perfuração
do Útero
Perigo
de lesão no intestino, na bexiga ou nas trompas;
Hemorragias
uterinas
Inflamação
do endométrio pós-aborto (infecção uterina
secundária, decorrente do aborto).
Evacuação
incompleta da cavidade uterina. Necessidade de prolongar a sucção
e de fazer uma curetagem imediata.
Histerectomia
(extração total do útero)
Países e o aborto
Veja
abaixo, países que não permitem o aborto, exceto quando
há risco para a vida da mãe (primeiro quadro), países
que permitem o aborto, mas com restrições (segundo
quadro) e países que permitem o aborto (terceiro quadro).

Mapa
Abortivo
O
mapa abaixo demonstra quais os paises que permitem ou não
o aborto.

Fonte
dos Mapas: Revista Veja
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