Uma
outra fonte importante de células-tronco é o sangue
do cordão umbilical e da placenta. “Células do cordão
umbilical são equivalentes a da medula óssea, com
a vantagem única de que são células de um
feto, portanto, novas. Durante a vida fetal, grande parte destas
células crescem no fígado do feto, no momento do
parto elas migram do fígado para a medula óssea.
No parto uma parte do sangue do feto está dentro da placenta
e pode-se guardar estas células através de congelamento”.Esta
prática pode ser fundamental no caso do indivíduo
desenvolver uma leucemia, por exemplo.As células sadias
congeladas podem ser utilizadas eliminado a necessidade de um
doador compatível. A apresentadora do Jornal do Rio, da
Tv Bandeirantes, Aline Pacheco, optou por congelar as células
do cordão umbilical no nascimento de sua filha , Maria
Antônia, em 2001 “ Quando soube desta possibilidade me senti
na obrigação de tomar esta precaução
pela minha filha. Nós gastamos tanto dinheiro com uma série
de bobagens para os filhos e muitas pessoas deixam de congelar
o sangue do cordão por que acham caro” , lamenta . Para
ela, o fato de sua filha ter o recurso de poder utilizar as próprias
células para a cura de uma doença não tem
preço. Esta também é a opinião de
Radovan Borojevic “A probabilidade de se precisar é de
duas em 1000, porém, temos que considerar que as famílias
estão ficando cada vez menores, o que reduz a possibilidade
de se ter um doador compatível no caso do desenvolvimento
de uma doença.Na França, onde a saúde é
toda paga pelo Estado, é recomendado o congelamento das
células do cordão umbilical, principalmente para
famílias com pré-disposições a defeitos
genéticos como filhos de combatentes por exemplo”, afirma.
“
Quando soube da possibilidade de congelar as células do
cordão umbilical me senti na obrigação de
tomar esta precaução pela minha filha” Aline Pacheco
.
Resultados
práticos da terapia com células-tronco no Brasil
As
experiências com a utilização de células-tronco
no Brasil já estão apresentando resultados práticos
satisfatórios. Vários grupos já desenvolveram
a terapia celular em caráter experimental principalmente
em pacientes cardíacos e pacientes com queimaduras graves.
No
caso do tratamento de problemas cardíacos em pacientes
que já não respondiam ás terapias tradicionais,
as células-tronco são retiradas da medula óssea
e são injetadas no coração do paciente. Estas
células vão se diferenciar no tipo celular necessário.Em
dezembro de 2001 quatro pacientes do Hospital Pró Cardíaco,no
Rio de Janeiro,foram submetidos ao tratamento desenvolvido pela
UFRJ e hoje eles já não precisam tomar remédios,
desapareceram os sinais clínicos anteriores. Quando o caso
é mais grave e o paciente necessita de um transplante de
coração, o procedimento é diferente: Retiram-se
células da medula óssea da bacia do paciente.As
mais imaturas são extraídas(células-tronco).
Elas são levadas para o Hospital Universitário do
Fundão,no Rio de Janeiro, onde são processadas(manipuladas).Ao
mesmo tempo outra equipe faz um mapa do coração
do paciente através de um cateter introduzido na virilha
para saber exatamente onde é a lesão. Em seguida
através de um sistema também via cateter é
introduzida uma micro injeção que contém
um conjunto de células que vão atuar dando origem
a artérias ou ajudando a recuperar o movimento do músculo
cardíaco enfraquecido, por exemplo.Este procedimento dura
apenas um dia e 24 horas depois da intervenção o
paciente tem alta.”Uma das principais vantagens deste tipo de
terapia é que ela é pouco invasiva”, explica Radovan.
Para
ele, cabe ao médico definir até que ponto a terapia
celular é indicada:
-Cada
paciente possui um histórico. A terapia pode ser utilizada
como um tratamento complementar. Tem que ser avaliada frente a
outras terapias. Só pode ser utilizada se for a melhor
possibilidade para o paciente,explica.
No
caso dos pacientes com queimaduras graves, as células-tronco
são retiradas e levadas para o laboratório onde
são manipuladas e preparadas para serem implantadas.Segundo
Radovan, cartilagens e mucosas que sofreram traumatismos graves
que não conseguem se regenerar também podem ser
tratadas com células-troco.
Para
Radovan Borojevic, uma das principais barreiras na área
da pesquisa é a falta de verba para equipar os hospitais
públicos: ”O Brasil sempre ofereceu uma educação
superior muito boa. Formamos excelentes cientistas. Os alunos
que vão fazer cursos lá fora são muito elogiados.
O problema é a infra-estrutura deficiente nos hospitais
universitários no Brasil. Mesmo comparando com a Argentina,
um país que também apresenta problemas econômicos,
o Brasil fica atrás. O ensino público no Brasil
terá que ter um incremento muito grande. Investimento em
cabeças é a longo prazo, mas o retorno é
garantido”, afirma.
Em
um país como o Brasil, que apresenta uma enorme demanda
por alternativas de saúde pública é necessário
que o esforço dos cientistas na área de células-tronco
não seja desperdiçado. Segundo Maria Helena Lino,
advogada e gerente do Projeto Ghente, com o avanço nas
pesquisas científicas e principalmente conhecendo os enormes
benefícios da utilização de células-tronco,
a sociedade vai sair perdendo se o Projeto de Lei de Biossegurança
for aprovado com o texto atual. “É importante que a sociedade
interfira no processo legislativo e exija seus direitos como usuários
de serviços de saúde”, conclui.
2004:
Cirurgia experimental no Hospital de Cardiologia de Laranjeiras.
O
Hospital de Cardiologia de Laranjeiras através da médica
Helena Martino, chefe da unidade de Miocardiopatia do Instituto
Nacional de Cardiologia de Laranjeiras, promoverá um experimento
este ano com pacientes cardíacos. Serão selecionados
30 pacientes para o experimento. Quinze receberão o transplante
de células diretamente no músculo cardíaco.
Os demais receberão as células-tronco através
das coronárias. A médica espera já ter os
resultados dois meses após a realização da
experiência. O projeto ainda aguarda aprovação
do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, órgão
do governo federal, mas a expectativa é que ainda este
ano o experimento seja realizado.
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