O
Centro da Discussão
Por
Karla Bernardo Montenegro

Leigos
e especialistas de todas as áreas concordam que a
ciência está a serviço da população,
principalmente quando se trata de pesquisas para a descoberta
da cura de doenças que afetam milhares de pessoas.
É consenso que as promissoras pesquisas envolvendo
células-tronco são importantes e devem continuar,
porém , quando se discute a origem, de onde as células-tronco
serão retiradas, não só o consenso,
mas a autonomia dos cientistas desaparece e as pesquisas
não avançam.
A
discussão se situa na utilização de
embriões congelados - a maioria armazenados em clínicas
de Reprodução Assistida- ou na utilização
da técnica de Clonagem Terapêutica, onde é
necessário a utilização de óvulos
doados para a pesquisa. A terceira possibilidade é
a utilização de células-tronco adultas,
extraídas do corpo do próprio paciente. Esta
seria a solução ideal eticamente falando,
porém, tecnicamente, é a solução
de mais baixo aproveitamento, já que estes tipos
de célula não são capazes de se diferenciar
em todos os tipos de tecido, como ocorre com as células-tronco
embrionárias.
Dois
grupos distintos se formaram: os que apóiam e os
que condenam a utilização de embriões
ou a clonagem terapêutica. No Brasil, para sensibilizar
a opinião pública cientistas liderados pela
bióloga Mayana Zats,da USP fizeram um abaixo-assinado
para pedir a liberação da pesquisa com o uso
de células-tronco embrionárias, iniciativa
prontamente combatida pelo professor Dalton Ramos também
da USP e a professora Alice Teixeira, da PUC/SP que lançaram
um Manifesto
contra a destruição de embriões.
No
centro desta polêmica está o Projeto de Lei
de Biossegurança, que para o espanto de alguns especialistas
além de tratar da política de Biossegurança
envolvendo Organismos Geneticamente Modificados(OGMs) possui
um artigo sobre pesquisas com células-tronco embrionárias
e clonagem terapêutica. O texto do Projeto de Lei
original restringia as pesquisas com células-tronco.
Na primeira intervenção o deputado Aldo Rabelo
retirou a restrição, liberando as pesquisas.
A bancada religiosa na Câmara realizou uma forte pressão
e conseguiu devolver ao texto o caráter restritivo
às pesquisas. Atualmente o Projeto de Lei que tramita
no Senado traz modificações e acolhe a emenda
do senador Tasso Jereissati que permite a pesquisa com células-tronco
embrionárias. Apesar do texto já ter passado
pela Câmara dos Deputados, o seu teor ainda está
longe de ser aprovado. Vários parlamentares têm
apresentado propostas de emenda .A proposta do senador Tião
Viana, por exemplo, é elaborar um texto que permita
que a pesquisa utilizando células-tronco embrionárias
seja feita somente com os cerca de 20 mil embriões
que se estima estar congelados no Brasil.
