
Células-tronco no Brasil:Terapia ainda em fase de teste
Evento do Projeto Ghente na FIOCRUZ fornece balanço das pesquisas com células-tronco no Brasil
Por Karla Bernardo Montenegro

O público que lotou o auditório do Museu da Vida, na Fiocruz/RJ ou que acompanhou o evento “Células-tronco: Possibilidades, riscos e terapias no Brasil” ao vivo, através da internet no dia 18 de maio de 2006 recebeu um importante balanço científico, ético e jurídico sobre e tema.
O desenvolvimento das pesquisas envolvendo células-tronco adultas no Brasil é promissor, mas os pesquisadores ainda estão em fase de início dos testes clínicos. Este foi o alerta dos especialistas presentes ao evento, desfazendo o discurso de falsos profissionais que já estão vendendo soluções à base de células-tronco. “No Brasil, ainda não se pode cobrar nada por tratamentos envolvendo células-tronco.”, afirmou o médico Ricardo Ribeiro dos Santos.
Outro ponto importante debatido durante o evento foram as excessivas promessas de cura através do sangue retirado de cordão umbilical. Até que ponto vale a pena contratar este serviço pela rede particular se as chances de uso são raras? Por que não utilizar o banco da rede pública? O que pode ser feito contra a propaganda apelativa e persuasiva?
O Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Fiocruz, o médico Reinaldo Guimarães, abriu o evento destacando a importância das pesquisas com células-tronco para a garantia do direito à saúde. Em seguida, a Coordenadora de Gestão Tecnológica da Fiocruz e Coordenadora geral do Projeto Ghente, Maria Celeste Emerick, explicou como o Projeto Ghente pode ser um instrumento de intercâmbio entre ciência e sociedade, através da possibilidade de acesso à informação e ao debate sobre as conseqüências do desenvolvimento tecnológico, principalmente na área da biotecnologia.
Representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (DECIT), da ANVISA, do CREMERJ, da USP, da UFRJ, do Pró Cardíaco, da UERJ, da CESUPA, do IFF, da ENSP e do CDTS/Fiocruz realizaram palestras e promoveram debates durante as 8 horas do evento.
O texto relativo às palestras realizadas será publicado no próximo volume da série: “Acesso e uso de genomas em saúde”, a ser produzido pelo Projeto Ghente.
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