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Clonagem Humana: uma perspectiva promissora?
Para enfrentar as promessas trazidas pela clonagem humana - tanto
a terapêutica como a reprodutiva - pode-se partir de dois
pressupostos: o ponto de vista sanitário e o ponto de vista
da bioética laica. Tais pontos de vista são pertinentes
para entender a valorização de uma qualidade de vida
razoável para indivíduos e populações
humanas em sociedades democráticas e multiculturais.
O ponto
de vista sanitário visa proteger os indivíduos e as
populações humanas das formas de adoecimento desnecessárias,
por meio de políticas públicas de prevenção
da doença e de promoção da saúde, que
sejam compatíveis com as condições objetivas
existentes e com uma correta ponderação dos riscos
prováveis. Por isso, a clonagem humana pode em princípio
fazer parte dessas políticas, desde que sejam respeitados
determinados vínculos tais como: a biossegurança,
a justiça distributiva e a autodeterminação
pessoal.
Já
o ponto de vista da bioética laica visa compreender a moralidade
da clonagem pela análise, racional e imparcial, das implicações
morais de seu uso e, caso se chegue à conclusão de
sua legitimidade moral, propô-la como meio para a proteção
da saúde humana.
Ambos
os pontos de vista aceitam a idéia de que o humano não
é somente um ser natural, mas também social e cultural,
e que, como tal, age sobre o mundo e interage com os outros seres
vivos guiado por projetos que visam modificar o status quo de sua
condição, tendo em vista uma melhor qualidade de vida.
Apesar de ter funções, aparentemente muito diferentes,
a clonagem terapêutica a clonagem reprodutiva visam responder
ao desafio do sofrimento humano desnecessário, adquirindo
portanto uma relevância moral.
Em
particular, a clonagem terapêutica, graças à
emergente biotécnica que utiliza células-tronco, visa
produzir órgãos e tecidos saudáveis, capazes
de evitar o sofrimento evitável causado por várias
doenças que têm causas genéticas. Deste ponto
de vista ela é portanto em princípio moralmente aceitável.
Por sua vez, e apesar de ser objeto de muitas críticas, a
clonagem reprodutiva pode também responder a formas de sofrimento
humano desnecessário, como a esterilidade e, talvez, a perda
de um ente querido. Ela pode portanto mutatis mutandis ser também
ser considerada moralmente legítima.
leia
o artigo na íntegra 
Fermin
Roland Schramm
Doutor em Saúde Pública com Pós-doutorado em
Bioética. Pesquisador Titular e Professor de Filosofia da
Ciência e de Ética Aplicada e Bioética da Escola
Nacional de Saúde Pública da Fundação
Oswaldo Cruz, ENSP/FIOCRUZ,
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