O conceito de informação genética
é muito amplo, porém, resumidamente,
pode-se considerar toda e qualquer informação
obtida a partir de sequências gênicas,
cariótipo, produtos gênicos e até
análise de características hereditárias.
Essas informações podem ser obtidas
a partir de amostras biológicas de um indivíduo,
de uma família, ou de um grupo de pessoas (ex.
etnias).
Todas as informações genéticas
de um indivíduo estão contidas em seus
genes, podendo também, ser obtidas a partir
do produto destes. Essas informações
são hereditárias e únicas, ou
seja, não existem duas pessoas que apresentem
informações genéticas idênticas,
excetos gêmeos monozigóticos (gêmeos
idênticos).
Devido a essas características, há muitos
anos os médicos utilizam as informações
genéticas para realização de
diagnósticos clínicos. Baseados no histórico
médico familiar, por exemplo, os médicos
podem calcular a probabilidade do surgimento de alguma
patologia hereditária em uma criança,
ainda durante a gravidez.
Existem alguns tipos básicos de testes que
podem ser feitos a partir das informações
genéticas de um indivíduo:
- Testes
pré-nupciais: podem ser utilizados
para identificar se algum membro de um casal saudável,
que planeja ter um filho, é portador de
uma cópia defeituosa de um gene, e prever
a probabilidade de seus filhos ou filhas herdarem
o gene defeituoso.
- Testes
pré-natais: Pode ser feito a partir
do material genético coletado do embrião,
é utilizado para diagnosticar possíveis
doenças físicas ou mentais.
- Testes
Preventivos: detectam a doença logo
a pós o nascimento, podendo impedir o surgimento
das complicações futuras. O famoso
exame do pezinho, que é uma prática
rotineira nos hospitais brasileiros, é
um exemplo.
- Rastreio
de doenças de manifestação
tardia: detectam doenças possíveis
de acontecer em adultos com determinada característica
genética. Podem ser preditivos ou diagnósticos.
- Identificação
de identidade: esse tipo de teste é
utilizado para a identificação de
pessoas, tem grande aplicação forense,
podendo ser utilizado, tanto para determinar a
paternidade de um indivíduo, como para
identificar um criminoso, uma vítima de
acidente ou crime bárbaro.
Temos que lembrar que a informação genética
é uma informação pessoal e que
deveria ser tratada como qualquer informação
médica individual. No entanto, alguns fatores
obrigam a um tratamento especial:
- Trata-se
de informação única para
cada pessoa;
- Pode
ser obtida a partir de pequenas amostras corporais
sem o consentimento da pessoa;
- Tem
um valor preditivo relativo indicando somente
a tendência do aparecimento de uma determinada
doença, que uma pessoa pode contrair no
futuro e pode indicar a outros familiares a probabilidade
de virem a contrair uma dada doença;
- Estas
previsões podem ter um elevado interesse
para terceiros (companhias de seguros, agentes
empregadores);
- Tem
um valor comercial potencial para organizações
que introduzam novos desenvolvimentos baseados
em informação genética;
A
privacidade dos resultados obtidos nos testes genéticos
deve ser mantida, assim sendo, devem ser confidenciais
e somente ser divulgados ao indivíduo ou a
seus familiares mediante prévia autorização
do paciente.
Essa
privacidade deve ser respeitada, pois esses resultados
poderiam ser utilizados por terceiros, nomeadamente,
empregadores e seguradoras, podendo causar algum tipo
de discriminação ao indivíduo.
As possibilidades de discriminação causadas
pelo acesso as informações genéticas
de um indivíduo podem ser inúmeros:
a recusa de promoção de funcionários
que tenham a seqüência de genes que indiquem
uma pré-disposição a determinada
doença; cobrança de preços mais
elevada para seguros de saúde ou de vida, é
apenas alguns exemplos. E esse tipo de discriminação
genética deve ser proibido.
Cristiano
Costa
Revisado por Dra. Giselda MK Cabello
